sobre mim

 

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“A criação de algo novo não é realizada pelo intelecto, mas pelo instinto de brincar, agindo por uma necessidade interior. A mente criativa brinca com os objetos que ama.”  Carl Jung 

 

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Conexão Farol de São Thomé - São Paulo

 

 

Primeira metade dos anos 70

A pequena cidade não tem luz elétrica*, as luzes são dos lampiões a gás e do próprio farol que em círculos, e em um ciclo que dura toda a noite, ilumina algumas casas por alguns segundos. Principalmente os telhados. 

A criança (Fábio) de cabelos descoloridos pelo sol, que passa a maioria dos dias brincando na areia do quintal ou da praia. Dois quarteirões separavam os dois locais.

Minha brincadeira predileta é criar "brinquedos" com as conchas que se apresentavam aos milhares, provavelmente milhões em toda a praia, em múltiplos tamanhos, formatos e cores. Usava também "pedaços do mar", algas molhadas e secas, gravetos, ossos de peixes, carcaças de sirí, tampinhas e pedaços de embalagens plásticas vindas do outro lado do oceano ou quem sabe jogadas de algum navio, boa parte delas já bem descoradas pela água salgada e pelo sol. Pedaços de seres desconhecidos, meio que "fossilizados", se misturavam as conchas, aos plásticos... quase tudo, pra mim, era peça. De montar.
A trilha musical na construção dos meus "brinquedos" era o som das ondas quebrando, do vento assobiando e das gaivotas disputando peixes.

 

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Um "brinquedo" do qual me lembro com detalhes, começava comigo cavando um buraco ovalado na areia, onde eu pudesse caber sentado dentro com as pernas dobradas, moldava na parte de frente desse buraco, uma área plana com a ajuda de um pedaço de madeira lisa ou com a sola do chinelo, e começa a decorar este espaço plano com conchas, tampinhas plásticas, gravetos...que ao serem colocados nessa parte lisa, já se transformavam em botões, comandos, controles, manilhas, alavancas... e com mais alguns riscos desenhados com um graveto, pronto! O painel de controle da minha nave espacial estava pronto. Com o apertar dos "botões" e o movimento das "alavancas" a aeronave ganhava o céu em segundos, e de repente... eu já avistava planetas distantes para pousar.

Era assim, com os pés fincados na areia e a cabeça no espaço sideral, que passava a maioria dos meus dias até o último raio de sol ou o surgimento da primeira estrela no céu.

 

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São Paulo (SP), anos 2000

Já fazem algumas décadas que o Fábio, também é Faoza, um pseudônimo-corruptela do meu nome completo, "FA" de Fábio, "O" do meio do Monteiro e "ZA" de Souza.


As "brincadeiras de montar", continuam diárias, só as peças foram mudando com o passar dos anos: pedacinhos de pontas de lápis esfregadas contra o papel com um chumaço de algodão, canetinhas, tintas para colorir acetatos, com pincel, para filme de animação, pedaços de revistas cortados para colagens, quadrinhos desenhados para fazer rir, pixels para criar capas e ilustrações, mais pixels para criar logotipos e peças digitais de comunicação e ainda mais um bocado de pixels para criar desenhos destinados a fine art print.

 

Diariamente coloco em cheque o que eu considero bonito e feio, o que eu considero relevante ser desenhado e o que me faz sentir bem ao desenhar. Esse exercício diário, colabora na tentativa - muitas vezes exitosa - de "montar" um desenho com a capacidade de ainda me fazer voar para planetas distantes.

 

 

Desenhista Designer

Para além dos meus trabalhos pessoais (de acervo), crio capas e ilustro para editoras, como Santillana, Meio & Mensagem, Richmond, Positivo, Abril, Globo, Ediouro, Moderna, Saraiva, SM e Folha de São Paulo. 
Ilustro também para agências de comunicação e estúdios de design.
Tive passagens pelas agências Norton, DPZ e sapient_AG2 como designer gráfico e UX/UI designer.
Colaborei como assistente de direção de arte na produtora de animação "Filme de Papel", criadora de filmes premiados como o longa-metragem “O Menino e o Mundo”, indicado ao Oscar 2016.

 

 

Mostras Coletivas

São Paulo, Rio de Janeiro, Santiago, Buenos Aires, Sarajevo, Lisboa, Porto e Xangai.

 

 

 

* Curiosidade
Em 1883, Dom Pedro II, inaugurou na cidade, o primeiro serviço público municipal de iluminação, tornando Campos dos Goytacazes a primeira cidade do Brasil e da América Latina a receber iluminação pública elétrica, através de uma termelétrica a vapor acionadora de três dínamos com potência de 52 KW, fornecendo energia para 39 lâmpadas de 2 000 velas cada. 
O Cabo de São Thomé se localiza a cinquenta quilômetros a sudeste da cidade de Campos dos Goytacazes.

 

 

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